Iêmen, sim! Agora, Afeganistão!

16.02.2021 - EUA - World Beyond War

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Iêmen, sim! Agora, Afeganistão!

Por David Swanson – World Beyond War.

Se o governo dos Estados Unidos seguir o que o presidente Joe Biden disse hoje sobre o Iêmen, os dias de guerra estão contados.

Se o restante de nós aprender as lições apropriadas, a guerra no Afeganistão deve começar a escolher uma lápide.

Biden disse que o exército americano estava deixando de participar da guerra no Iêmen, e que os Estados Unidos estariam encerrando quaisquer “vendas de armas relevantes.”

Certificar-se de que essas afirmações sejam verdadeiras, no sentido comum das palavras, exigirá vigilância contínua. Pode-se esperar tentativas de isenções no caso de assassinatos particularmente desejados, que é uma das razões que culminaram na guerra do Iêmen, em primeiro lugar. Acabar com uma guerra tem de significar acabar com uma guerra. Isso parece óbvio, mas nunca significou tal coisa antes. Tanto Obama quanto Trump receberam crédito (por diferentes pessoas) durante anos por “acabarem” com guerras que eles nunca deram fim. Desta vez, isto tem de ser real, o que inclui garantir que as “relevantes” vendas de armas não se baseiem em uma nova definição de “relevantes” elaborada por um advogado para a Raytheon (Conglomerado norte-americano que atua na área de armamentos e equipamentos eletrônicos para uso militar e comercial).

“Acabar com uma guerra” é uma versão abreviada de acabar com a participação americana em todos os tipos de guerra, é claro. Mas esta é uma guerra que não pode durar sem a participação dos EUA.

Há razões para pensar que este término pode ser feito para perdurar. Biden não informou os jornalistas dos significados enganosos em suas declarações (ainda não, que eu saiba). Mentir de uma forma tão visível e precoce sobre este assunto o prejudicaria. Além disso, esta é a primeira guerra terminada pelo Congresso. Claro, o Congresso a terminou quando Trump era presidente e ele vetou essa decisão, mas, muito claramente, o Congresso seria obrigado a pôr um fim de novo — compelido pelo público — se Biden não agisse. Então, Biden sabe que esta não foi uma escolha que cabia a ele. Foi também algo que ele (e a plataforma do Partido Democrata de 2020) já tinha sido obrigado a prometer.

A lição mais importante aqui é que a pressão pública sobre os vários governos e ao longo deles funcionou. A Itália acabou de bloquear carregamentos de armas para esta guerra. A Alemanha já tinha bloqueado armas para a Arábia Saudita. No Canadá, ativistas do World Beyond War bloquearam carregamentos para esta guerra, ficando na frente de caminhões em um dia de ação global pelo Iêmen. Nem Joe Biden nem Antony Blinken queriam o fim deste conflito. Biden anunciou seu apoio à Arábia Saudita, seu plano de manter todas as tropas na Alemanha e sua intenção para os Estados Unidos de “liderar” o mundo — tudo anunciado no mesmo discurso de pôr um fim à guerra do Iêmen.

Agora, aqui está o que nós temos: a maioria do Partido Democrata em ambas as casas no Congresso americano, e um democrata na Casa Branca, uma plataforma do Partido Democrata que também prometeu pôr um fim à guerra no Afeganistão (embora Biden já tenha anunciado que quebrará a promessa), os Membros do Congresso que já estavam preparados para trabalhar pelo fim da guerra no Iêmen, e que, agora, não precisam; uma guerra no Afeganistão da qual (relativamente falando) o povo dos EUA realmente ouviu falar; uma guerra no Afeganistão na qual inúmeras nações estão desempenhando poucas funções (cujo abandono teria alguma influência sobre os outros) e o sucesso comprovado de usar a Resolução dos Poderes de Guerra para pôr fim a um conflito.

Um brinde aos ativistas que fizeram essa lei acontecer em 1973!

Agora, sei que estamos contra o ídolo supremo do bipartidarismo. Sei que os democratas no Congresso só acabaram com a guerra no Iêmen porque um republicano era presidente, mas os republicanos também terminaram. O que poderia ser uma oportunidade melhor para a tão elogiada unidade e o bipartidarismo do que se reunir e acabar com a guerra no Afeganistão? “Acabar com a guerra” é uma versão abreviada para acabar com a participação americana na guerra, de novo, claro. Mas acabar com a participação dos EUA põe um fim na participação da OTAN. O encerramento das vendas de armas restringe severamente a participação de todos os outros. E acabar com toda a violência no Afeganistão só é possível — não é garantido — se o exército dos EUA tomar um chá e sumir!

Claro que será dito que, assim que terminarmos com duas guerras, vamos apenas querer terminar com uma terceira e uma quarta e nunca ficaremos satisfeitos. Ao que eu digo, qualquer cultura que equiparar a pacificação com a ganância deve ter o maior número possível de coisas interrompidas. Vamos ao trabalho.

P.S.: Por favor, dirijam seus anúncios de futilidade e desesperança de oposição às guerras para:

ACABAMOSAGUERRANOIÊMEN
PO BOX SAIDESSA
Washington DC 2021


Traduzido do inglês para o português por Luciana Leal / Revisado por Graça Pinheiro

Categorias: Internacional, Opinião, Paz e Desarmamento
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